segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

As Malditas Datas Especiais

As lojas de chineses estão claramente sem saber que artigos pirosos hão-de pôr na montra: se o folclore do Carnaval, se o do dia dos namorados.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Noite

Se, quando estou deitada, no meio dos meus diálogos resmoídos interiormente aparece um pensamento particularmente estúpido (leia-se: particularmente esperançado ou idealista), mando-me calar a mim mesma e depois viro-me para o lado oposto, apoiando a cabeça na almofada com força e arrastando a roupa da cama comigo. Não sei para benefício de quem os meandros mais estúpidos da minha mente me fazem ter este número teatral de repúdio, mas sei que se só pensar "cala-te, ó palerma" e não me mexer fico encravada, incapaz de dormir e incapaz de prosseguir o monólogo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Fui-o Outrora Agora

O título de abertura de um post ser da autoria de Fernando Pessoa conta como estudar Pessoa ortónimo. Só para esclarecer esse pontozinho.
Hoje é dia 1 de Fevereiro, e se aquela minha mania de fazer balanços de tudo não fossem já águas muito passadas, Janeiro mereceria sem dúvida um balanço. Foi um mês cheio e longo. Só percebo isso por ter um marco relativamente perto, as férias, que me dá para ver a quantidade de coisas que já estão do lado de cá. De outra maneira, julgaria o mês um deserto, tomando-o pelo último fim-de-semana. Costumo fazer isso, inconscientemente.
Tenho um caderno pequeno, encadernado, onde vou apontando as coisas e coisinhas dos dias, qualquer porcaria nova que atirei para o carrinho das compras, o assunto de uma conversa no café, tretas desse género. Descrições de paisagens, do estado de tempo. É a reler esse caderno que consigo pôr profundidade no tempo, aquilo que lhe tiro automaticamente.
Esse é o efeito que eu esperava, é essa a função do caderninho. Mas tem adquirido outra, neste mês. Ando mais irritada do que é costume, como se cada dia tivesse corrido mal. Depois escrevo o tal apanhado e vejo que foi um dia fantástico, que as coisas correram bem. As contas ficam positivas. Isto contrasta com o que se passava há uns anos, quando andava com outras pessoas, pessoas mais espevitadas. Ria-me imenso nesses tempos, ria-me como não me rio hoje (e pensava com tristeza que dali a uns anos, não seria capaz de me lembrar da piada da situação - e não lembro), mas olhando de cima, o que há é uma miúda meia desprezada, sempre enervada com esse desprezo, por gente meia estúpida.
Hoje não me rio tanto. Já nem desejo esse riso histérico, estridente, bêbedo, não lhe dou tanto valor como dei. A vida corre-me bem, creio, mas é só ao fim do dia que eu ponho a alegria nos momentos em que ela lá devia estar. O título do post saiu desta parte: "Eu era feliz? Não sei: fui-o outrora agora". A felicidade que tenho agora é quase toda desse tipo. Muito pouco zen, suponho. Mas estou quase para afirmar, para estabelecer, para repetir para mim mesma quando sentir que devia estar a copiar o modelo de satisfação de outras pessoas, que isto funciona comigo.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Ainda nas Novelas de Vampiros

O Bruno Aleixo a modos que tornou o meu post de Domingo passado um pouco, digamos, inaccurate (a única sugestão de tradução do meu dicionário é inexacto, e essa palavra é palerma), no Aleixo FM de sexta. Isto porque o dito mamífero de espécie indefinida teve a seguinte frase, mais ou menos: "inovador o caraças, já houve uma novela brasileira com Dráculas. Há uns 15 anos. Era a Vamp.". Ora, o teor desta afirmação deita por terra o sentimento de que novelas de vampiros era conceito estranhíssimo e amostra das aberrações dos tempos que correm.
Primeiro ponto: a noção de conceito estranhíssimo incluía o facto de ser uma novela da TVI. Esperar-se-ia alguma vez na vida que a TVI fizesse alguma coisa remotamente diferente do que costuma fazer sem imitar qualquer coisa que tivesse recentemente causado histeria em mais de metade (ou 95%) da população? [Por acaso, o "Ele é Ela", sendo tão pouco original como é, insere-se nessa categoria, e, para meu grande espanto quando apanhei um episódio, até deve estar na lista das melhores coisas a rodar na televisão pública. Mas enfim, ignorem este ponto que eu estou a tentar salvar um ponto de vista.]
Segundo ponto: não sei se houve a tal "Vamp" há quinze anos, mas houve uma novela brasileira de vampiros há um período de tempo que me permita a mim, jovem ainda menor de idade, lembrar-me dela. Muito vagamente, mas lembro-me. Quase que juro que a miúda vampira se chamava Bianca. E que a actriz que a representava era aquela do... coiso, não sei explicar. O conceito de novelas de vampiros cada vez me parece mais bizarro e neste momento estava capaz de matar por achar vampiros abrasileirados no Youtube.
*Rekoa parte para uma odisseia pela Youtube*

(Ah! E eles lá numa parte gozavam com os portugueses a propósito de uma garrafa de vinho do Porto que eu lembro-me e lembro-me que fiquei toda "humpf, devem ter a mania". Lembro-me sim senhor, como se fosse ontem.) 


sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Uma Boa Frase para o Herói

Subscrevi a newsletter da Holly Lisle no espírito do NaNo, mas a verdade é que não vou com a cara dos e-mails (a formatação é estreitíssima) e até agora tinha tido paciência para acabar apenas um. Este último, no entanto, é genial: «The villain gets all the good lines. Or the sidekick does. Or the guy in the market who doesn't even have a NAME, for crying out loud. (...) The writer is protecting him... from all the bad in the world, from being offensive, from being misunderstood by some small subsection of readers who might not like a hero who comes in with the best and wickedest-funny lines in the book.»
Je concorda. Je está farta de personagens laterais que ficam com a graça toda. O herói é para ser porta-voz, a cara da campanha, e é para o ser com convicção. Irra.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Horário

O meu horário escolar deste ano tem as suas particularidades, e embora a sua influência tenha sido maior no início do ano, continua a fazer-me cair nos seus truques. A semana começa muito devagarinho, com uma segunda tão leve que não é uma segunda a sério (uma segunda a sério é para ser odiada, temida, encarada com infinita má disposição, para nos fazer pensar a cada Domingo à noite que estamos prestes a embarcar num carrocel doido, sem inspecções e que não há volta atrás), e assim vai continuando, num crescendo lento que incentiva o adiamento e a procrastinação. A meio da semana começo a ter Educação Física, o que me causa sempre arrepios e pânico, porque as aulas até podiam ser a maior festa da semana mas eu estou traumatizada com a puta do desporto e da educação física e patéti patétá para o resto da vida. Depois, na quinta-feira, há um esticão e somos soterrados com escola. Mas logo na sexta-feira há um abrandamento inesperado, uma libertação que em vez de nos atirar para o fim-de-semana acelerados e obcecados, nos dá a sensação de sobreviventes por um triz e faz com queiramos saborear o tempo livre, este alegre resto de tarde que temos à sexta-feira, e claro que o fim-de-semana é imediatamente contaminado pela boa-vai-ela. Mas não tem problema que não se trabalhe ao fim-de-semana; afinal, o início da semana é leve e tem-se muito tempo para acabar trabalhos.
Feita esta análise, reconheço que o 12º ano é um ano muito folgado (e que tenho uma sorte do caraças com a boa disposição e tolerância dos meus professores), e que, caso contrário, estava a esta hora metida num sarilho dos grandes. 

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Estava eu a passar os olhos pelo meu feed do Tumblr, quando o fuckyeahads mostra em toda a sua glória um anúncio de fita-cola que apregoa os seus méritos colocando-se estrategicamente sobre a boca de George W. Bush. Em Portugal nunca há nada que mereça tais honrarias de anúncios criativos, pois não?
Errado.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Está a dar uma novela de vampiros na TVI

E pensar que há apenas um par de anos - pronto, o Twilight foi publicado em 2005, portanto há cinco anos, credo que estou velha ou então era tão nova antes - a frase acima seria daquelas coisas que não lembrariam ao diabo, uma amostra de surrealismo, um paradoxo, uma impossibilidade matemática, a minha máquina gráfica ter-lhe-ia respondido ERR: SYNTAX 1:Quit.

Tenho que admitir, no entanto, que, fora
  • os diálogos copiados com papel vegetal da peste acima citada,
  • o giz que três meia volta caía da cara da pobre da Catarina Wallenstein e nunca deve ter havido que chegasse para as pernas,
  • e a ideia que quando a rapariguinha vampira chega a casa vinda da escolinha deve dar com a família a silvar uns para os outros e com a irmã a pousar casualmente para uma revista masculina em cima do sofá (isto até dava um bom chick-lit, é coisa para irritar qualquer boa cachopa),
a coisa até não correu assim tão mal, com uma pseudo-universidade em Sintra (wtf?) e montes de gente cheia de pretensões culturais (ele é declamações de Florbela Espanca e qualquer coisa em latim, ele é concertos de música clássica, ele é saber que tradições pagãs foram acristianizadas...). Pode ser que com a Sic e a Merche Romero a coisa bata no fundo do bom gosto, como o conceito pede.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Malha e Romance (e Orgasmos)

Vai ser a terceira vez que faço copy-paste do Good Omens, e começa a parecer que eu resolvi analisar o livro integral aqui no blog (Deus sabe que uma grande parte das piadas necessitavam de um daqueles cadernos amarelos que há para o Memorial do Convento ao lado). O que acontece é que, muito simplesmente, explicar os meus pontos de vista com excertos faz-me sentir desmedidamente alegre. Dá-me uma sensação de não estar sozinha, creio.
Atentem nesta pérola, se fazem favor, que eu até vou usar a formatação para citações:

She'd stopped reading the kind of women's magazine that talks about romance and knitting and started reading the kind of women's magazine that talks about orgasms, but apart from making a mental note to have one if ever the occasion presented itself she dismissed them as only romance and knitting in a new form. So she'd started reading the kind of magazine that talked about mergers. (…) She read about New Women. She hadn't ever realized that she'd been an Old Woman, but after some thought she decided that titles like that were all one with the romance and the knitting and the orgasms, and the really important thing to be was yourself, just as hard as you could.

Uma coisa em que sempre me falhou o entendimento foi onde é que é suposto "O Sexo e a Cidade" ser feminista, ou melhor, apresentar uma mulher realizada e capaz de ter um papel na sociedade. Eu nunca vi a série, mas do que reuni do anúncio do filme e de dois episódios do seu parente pobre ("Lipstick Jungle"), a nova função que se redesenha para as mulheres é terem carreiras importantes (mas apenas em áreas que estejam na moda, como a publicidade e a indústria cinematográfica - o que, para mais e perdoe-se-me esta atitude derivada de andar a ver a taxa de empregabilidade de cursos na área científica, são indústrias periféricas que não produzem nada de real), comprarem roupa e maquilhagem de marca, terem conversas sobre sexo e namorados que apenas diferem das de adolescentes por terem mais bases verídicas e serem feitas em locais mais elegantes.
Tudo isto é o mesmo: Bravo, SuperPOP, TV7dias, Maria, Cosmopolitan. Tudo é Emma Bovary, tudo é malha e romance.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A minha mãe pôs-me lençóis polares na cama e, desde aí, a minha vida mudou, mas mudou mesmo, como mudam as vidas das pessoas que tomaram uma pílula milagrosa e vêm explicar isso ao anúncio de televendas. Acabaram-se os devaneios nocturnos palermas, acabaram-se os sonhos bizarros, durmo a noite toda seguida, consigo sair da cama de manhã sem parecer que me estão a arrancar o coração (com música melodramática a acompanhar). Ainda por cima têm umas cores garridas que dão a sensação, ao entrar lá para dentro, que estamos alegremente a escorregar pelo buraco do coelho na Alice do País das Maravilhas (apesar de eu nunca ter lido o livro, nem visto o filme, mas foi a comparação que consegui arranjar). Foi a solução para todos os meus problemas! *abre piroso sorriso pepsodent*

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sei que me tornei uma má, má pessoa e uma rapariga palerma quando percebo que o pensamento mais sentido que tive em relação ao terramoto no Haiti foi uma admiração surpreendida pela rapidez de reacção da Internet e a existência de uma barra a apelar a doações no YouTube logo no dia seguinte.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Vou repescar esta parte do Good Omens para este post. Tinha a sensação que havia algo mais explícito mais para trás no livro, mas o melhor que vi foi "He'd always known that the world was an interesting place, and his imagination had peopled it with pirates and bandits and spies and astronauts and similar. But he'd also had a nagging suspicion that, when you seriously got right down to it, they were all just things in books and didn't properly exist any more."
Ontem fui ao Ribatejo. Melhor, vi o Ribatejo pela janela. Parece que foi há muito tempo que não passei por lá, e tinha-me esquecido do ar que lá se respira - qualquer coisa que mesmo em pleno Janeiro faz lembrar o início do Verão e sandálias a bater nas calçadas. Mas fora esse sentimentalismo associado à geografia, fora as minhas saudades de viajar, pela janela ia enchendo o olho com os carreiros de plantações enormes, com pernaltas a debicar lagos, com ninhos de cegonhas, cercados de gado. Era uma mistura de farmville com documentário da BBC com cenário de um livro infantil clássico.
Eu cresci e vivo numa das zonas mais agrestes e seguras do país, suponho. Aqui nunca acontece nada, nem cheias nem neve nem terramotos nem ventanias. Há fogos em Agosto, que criam um tapete de mato sob troncos enegrecidos. Não há fauna nem flora, pelo menos alguma que combine com nomes tão finos. Vislumbrar um coelho selvagem é um milagre. É uma paisagem de carvalhos cheios de cavacos, oliveiras retorcidas, hortas quadradas e filas solitárias de couves, poços a desmoronar, leitos de ribeiras secos, currais desorganizados que só têm ovelhas, uma arquitectura desgarrada e uma metade das casas têm os estoros descidos e uma tinta escura e pardacenta, que se suja e mostra a escorrência da água com facilidade, própria dos emigrantes. Não é o tipo de coisa que costume classificar-se como cenário evocativo, e fez com que eu me tornasse bastante céptica no que toca às maravilhas naturais e às imagens de marca do campo e das aldeias. Foram arrumadas nas prateleiras dos brinquedos e desenhos animados, juntamente com castelos, barcos, piratas e bruxas.
Portanto, conclusão: este Domingo passou-se o inverso do acima citado.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Requiem por um Casaco Felpudo

No Inverno passado comprei um casaco de malha que eu adorava. Não porque me ficasse particularmente bem, porque não ficava, mas porque era fofo, e era o tipo de casaco que uma personagem - uma personagem qualquer - usaria. Era especial. Quando as coisas são especiais, eu tenho muito medo de as usar. Principalmente quando têm pêlo que perde a piada na lavagem ou com o uso.
Mas usei este casaco. Quase temerariamente, em pose de desafio, com o sentimento que tenho quando acendo velas elaboradas e gasto produtos de beleza caros, mas usei-o bastante. E só esta manhã, quando estava a tentar arrancar um pêlo de gato dele e vi que era um dos pêlos do casaco (à peluche) que eu já me esquecera que ele tinha, é que vi o quão gasto ele estava. Talvez seja difícil de perceber esta minha relação com os objectos efémeros, mas lamento isto e desejo que o tempo voltasse atrás, e eu voltasse a ter nas minhas mãos um casaco novo, como as mulheres que se ralam com as rugas se devem contemplar ao espelho, e com a mesma melancolia com que encaro os meus parentes (de notar que mais ou menos afastados, que é para não escandalizar alguém) falecidos. Não costumo fotografar quando desconfio que a imagem não será fiel ao que eu quero retratar, porque é uma frustração que me faz andar mais mal-disposta que muita coisa mais grave, mas agora gostava de conseguir achar no meio dos gigabytes de imagens inúteis que eu tirei uma fotografia deste casaco quando era novo e felpudo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Auto-Meme

As perguntas e a incompreensão estavam a formar exércitos letais por detrás dos meus olhos, mas entretanto saiu-me isto, eu compreendi e até me ri:

Certo, o link. Agora vou pescar uma extensão que me permita fazer recortes no ecrã, que isto da rota printscreen-paint já perdeu a piada.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Coisas para 2010

Hoje estava a ligar a Internet e veio-me há ideia uma resolução impulsiva sobre não fazer mais nada na Internet a não ser pesquisar cursos e universidades até ter escolhido para onde vou no ano que vem e para fazer o quê. Nem era de todo irrealista, uma vez que de há umas semanas para cá eu tenho vagueado por blogs e facebooks e artigos parolos, sem saber muito bem o que hei-de fazer com isto ligado.
Supostamente, as decisões e planos funcionam melhor se os assumirmos publicamente. Portanto, eu publicamente me comprometo a arranjar o tal curso e universidade até Julho, e muito lixada estou se não conseguir (muito lixada hei-de estar); depois há o arrastado e sempre presente mandamento do "perder peso", que envolve coisas como deixar de ser uma piegas desgraçada que se corro mais de cem metros já estou a morrer de ataque asmático não diagnosticado e deixar de comer tudo o que há e não há de comestível nesta casa quando estou com os nervos, e em vez disso ir pegar o trabalho pelos cornos; tirar a carta de condução (está no bom caminho, ou então não); curar esta coisa da ansiedade e da procrastinação e do défice de atenção; deixar de comprar coisas sem juízo, ou seja, de andar a ser forreta para depois comprar o que me vem à mão, sem ver se preciso ou se há melhor, apenas porque estou na disposição de comprar nesse dia. Estes são os BJR - Bridget Jones' Resolutions - e o nome não lhes augura nada de bom, bem sei. Depois há os BFS, que são os do NaNo e não são para ser contaminados com o espírito derrotista dos anteriores (bolas, a carta devia estar aqui. Mas pela sua natureza de importância universal, está daquele lado. Oh, as implicações da categorização...). A saber, eu para o ano hei-de participar no ScriptFrenzy, provavelmente esquecer o NaNo a menos que me dêem ataques de nostalgia e/ou entusiasmo, hei-de cortar o cabelo, hei-de fazer uma lista de separação bilateral como esta do judeu e do goy (com outra coisa qualquer, óbvio), ter uma agenda na cabeceira para apontar as coisas a fazer devidamente, e... Havia mais, mas isto é o mais importante. Ah, ir a um concerto decente, que o meu historial nesse campo é vergonhoso.
Agora, se fizerem favor, é perguntar-me periodicamente como vai isto e atirar-me tomates caso a resposta seja evasiva e/ou sejam apresentadas desculpas. Muito, muito obrigado.
(Devia pôr postar mais nesta lista? É que dizer "vou postar mais" é horrível, e predestina o blog em questão a uma morte em agonia e estertores. Mas a verdade que é o meu problema tem sido mais a preguiça de entrar e escrever aqui do que o assunto, portanto bem que podia fazer parte da lista das coisas pelas quais devo levar pontapés caso não faça.)

domingo, 10 de janeiro de 2010

Calendário no Dedo Grande do Pé

No fim do Verão experimentei um verniz dourado na unha do grande dedo do pé. Não pintei o resto nem tirei o verniz, e a partir daí deixei de usar sandálias: sempre que me lembrava daquele bonito serviço ia buscar meias e sapatilhas, em vez de arranjar as unhas. A minha preguiça funciona de formas estranhas.
Agora a unha está meia pintada e todos os dias em que reparo nisso vejo que o tempo passou. Não sei se fico triste simplesmente porque mostra que o tempo passou, se é o desalento do fim de Agosto que eu guardo ali.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Quando fui ver o Avatar, a lotação da sala atingiu níveis sem precedentes (digamos que para aí quase metade da sala estava cheia; vá, pelo menos um quarto), superiores a quaisquer que eu tivesse visto desde o tempo das estreias dos primeiros filmes do Harry Potter. Deste modo, em vez de os poucos grupos se espalharem pelas filas, eu acabei ao pé de estranhos; e enquanto eu procurava tropes na luta épica que decorria, blasfemava contra os contornos desfocados que apareciam no canto do olho porque eu não estava numa linha perpendicular ao centro do ecrã e fazia a lista de afazeres para o dia seguinte, a rapariga ao meu lado comentava o filme com a amiga, preocupada com o seguimento do enredo e com a dor dos personagens. O pensamento que me surgiu foi "funf, CIVIS!".
As pessoas metidas na cultura popular são soldados do desdém e cinismo. Eu culpo a Internet em geral e o TVtropes em particular pela destruição quase completa da minha capacidade de empatia.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Como vai a luta contra a procrastinação no primeiro dia de trabalho, Rekoa?

É verdade que já comi uma grande sandes de presunto, uma colher de queijo amenteigado, uma colher de chantilly e um pedaço de pão com marmelada, mas, fora isso, a coisa podia ir pior.

Giríssimo é o cabeçalho do Google para o aniversário do Newton. É o ano do bicentenário de Chopin. Isto só para provar - a mim mesma, provavelmente - que eu tenho consciência temporal.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Um livro meio idiota a que dei a uma vista de olhos recentemente (suponho que de um guru brasileiro manhoso) falava na existência de janelas killers: como que compartimentos da memória que armazenaram episódios traumáticos e que, ao serem acedidos, levam ao pânico e desligamento do sistema.
O livro em questão era, como disse, meio idiota, e eu não lhe liguei quase nada. No entanto, isto das janelas killers define bem o meu comportamento com os fóruns. Foi das primeiras vezes que escrevi num fórum de adultos e o meu post foi um pouco ironizado numa resposta abaixo. Embarquei numa missão para chafurdar na memória do ciberespaço e acabei de reler a conversa. É perfeitamente inofensiva, a sério; mas eu continuo a ser incapaz de ler fóruns sem ficar nervosa e aos pulinhos, no tipo de comportamento que me faz desistir do que quer que eu esteja a fazer em menos de um minuto.

O prémio kitsch anual vai sempre...

Mas sempre para a televisão nas últimas horas do ano. O telejornal faz um apanhado anual que se intitula, sem pruridos, "acidentes e tragédias", e é suposto as pessoas passarem o ano com o Goucha ou, Deus nos valha e guarde, com os Ídolos.
Creio que é uma questão de, por oposição à noite de Natal, em que se passam filmes, os cérebros criativos da programação acharem que qualquer pessoa que esteja a ver televisão na Passagem de Ano é idiota. Se não é, sentir-se-á. Ou então mandá-los-á à fava e fará uma montagem de portátil em pleno jantar de família.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Este é um exercício muito bonito. Que eu não vou postar porque, olhem, não me apetece.
Que todos vocês tenham bonitas resoluções de Ano Novo para não cumprir em 2010.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Eu sou uma pessoa que se gosta de comportar decentemente, com dignidade e fleuma britânica, seja isso o que for. Como tal, gosto de nunca ter sido o tipo de rapariga que "ai meu deus *guinchinho* *desfalece*", ou pior, "*voz aguda* ai que ele é tão BOM *bom dito com a boca toda*" tanto com rapazes reais que andassem a passear o estilo pela escola quer como com celebridades cujos peitorais fossem universalmente valorizados. Simplesmente, não é o tipo de coisa que me costuma passar pela cabeça.
Excepto pelo Tom Welling. Por isso, o objectivo deste post é basicamente dizer ai jasus ele é tão giro.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Com os trabalhos e a preguiça, e com este hábito que eu tenho de nem ver o tempo a passar, esqueço-me muitas vezes do quanto eu gosto deste meu blog.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Sympathy For The Devil (well, his son. All the same)

«"It's like you said the other day," said Adam. "You grow up readin' about pirates and cowboys and spacemen and stuff, and jus' when you think the world's all full of amazin' things, they tell you it's really all dead whales and chopped-down forests and nucular waste hangin' about for millions of years. 'Snot worth growin' up for, if you ask my opinion."»
"Good Omens",
Terry Pratchett & Neil Gaiman

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Reconsiderando, o dia 25 é o melhor de todo o Natal. Normalmente, era quando eu começava a ficar deprimida e "ai que o Natal está a acabar". Agora que tenho idade suficiente para dar o ar que posso estar à frente de uma panela e não posso simplesmente ignorar os trabalhos de escola marcadas para além do dia 1, estou mesmo a pensar que o dia 25 vai ser muito bom. É só comer os restos das sobremesas, com uma sensação de dever porque não se podem deixar estragar, ver filmes - este ano aprovisionei-me - enquanto a famelga anda a fazer não sei o quê longe, as decorações que não foram melhoradas até ali já não precisam de o ser, e até faça algumas das actividades natalícias que planeei, como organizar as fotos de família.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Durante não sei quantos anos de blogs e companhia, eu ocupei-me com coisas que só interessam a blogs profissionais: widgets, contadores de visitas, comentários, templates, etc. etc. Depois fartei-me e arranjei outro hobby qualquer. O que importa reter de tudo isto é que agora já não percebo nada disso.
E é agora que eu tenho que perceber disso, para pôr a andar um blog todo ele com ares de imenso profissionalismo para AP. A vida é muito, muito cruel. E dessincronizada.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A minha febre por achar correspondentes estrangeiros que se interessem pela língua - pela estrutura e pelas palavras para as quais não encontramos imediatamente uma tradução em inglês - e o meu cuidado em não ler apenas livros que foram traduzidos de inglês, quando é tão fácil fazê-lo, não é apenas uma mania onde posso esbanjar o meu potencial obsessivo e paranóico. Eu tenho medo de que as palavras se percam, e eu sei que algures, nalguma língua, haverá a palavra de que preciso; e tenho razões para isso. Ontem, depois de um Domingo em que quase chorei de alegria por ter achado o mais perfeito excerto dedicado à grafomania, Milan Kundera (que eu suponho ser um escritor muito famoso e o raio, mas cada vez me interessa menos o contexto) falou-me do litost, coisa pela qual eu fui tão atormentada ao longo da minha vida, e continuo a ser.
Hoje passei pela área dos computadores na biblioteca e, nos ecrãs que habitualmente mostravam perfis de Hi5, havia uma data de bonequinhos a trabalhar diligentemente, por entre fardos de palha coloridos, no seu farmville. E eu a pensar oh-meu-deus.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A minha história do NaNo tem que ser acabada.
Um dia destes.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Sobre essa Época Maligna que É o Natal

Eu enervo-me bastante com o Natal. Normalmente, porque, a meu ver, o Natal devia seguir um plano cuidado de boa-vai-ela e actividades mágicas, incluindo leitura de certos livros e cozinhados. O espírito de Natal deve, impreterivelmente, começar a construir-se no dia 1 de Novembro, de preferência com escala num centro comercial. A partir do dia de 1 de Dezembro, ou eu estou a chafurdar em espírito natalício ou sinto-me tão culpada como quando só estudo para um teste na tarde anterior, com pausas para ir ao computador. Não deixa de ser curioso a quantidade de tempo que eu passo a sentir-me culpada.

De consumismos, hipocrisias, bondades, solidariedades, compras, família, blá blá blá, não irei falar muito. Não tenho andado muito faladora. Há quem fale, de resto, pelo que não me sinto culpada. Li um texto maravilhoso sobre o assunto, mas não me apetece fazer links.
Durante o Natal, eu sinto uma espécie de alegria cósmica. Perdoo e compreendo tudo às mãos largas, tudo o que me irritaria normalmente porque eu também sinto o dever de ser irritável. Tudo me parece tão amoroso, tão requintado que este espectáculo da humanidade é. É por isso que este é o meu anúncio preferido a correr nas televisões. Não sendo nada de especial, tem qualquer coisa do tom épico com que eu aprecio este completo descalabro frenético de época.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Houve uma vez em que eu fui ver a resolução de um Teste Intermédio e seleccionei a versão errada. Acho que foi um trauma para a vida.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Aqui há dias havia alguém a falar na televisão, julgo que sobre a cimeira de Copenhaga, e dizendo que se ia tentar achar o máximo denominador comum. Não o mínimo denominador comum, que seria o termo usual, mas também seria os concursos de televisão, as novelas, os livros sobre doenças, as lojas de "gifts" e sei lá mais o quê. Da maneira como eu costumo estar a pensar, passivamente, sobre coisas que não tenho motivo algum para recordar, estive ontem, durante o banho, a pensar em como o "máximo denominador comum" era tão fofo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A fase do "cá estamos". Seja o que for.

Para surpresa de absolutamente ninguém. Quer dizer, não sei os pareceres que os caros leitores pudessem estar para aí a congeminar, mas não me surpreendeu a mim. As 50k nunca foram o problema, nem no início. O problema é o contrário, ou seja, matematicamente falando, tudo o que o facto de escrever 50k palavras não resolve. E é muito. Mas eu não ia falar de nada disso. Acordei friorenta mas bem-disposta. Ainda não estava preocupada com o Teste Intermédio de Matemática, essa é que é essa.

Eu ia resumir tudo o que consegui fazer este NaNo. Escrevi uma história pela primeira vez - os outros NaNos não tinham qualquer espécie de ritmo narrativo, não tinham enredo. Inventei personagens do nada e esqueci-me de dar atenção às que já existiam. Filosofei sobre conjuntos de loiça. Descobri o poder inspirativo dos metais pesados. Enfiei outros enredos a martelo. Negligenciei a matemática, os Lusíadas e a química laboratorial. Nunca dei tantos erros ortográficos, e certamente não na primeira classe. Pontuei mal. Parti a quarta parede (o que foi uma grande batotice e não, sob ponto de vista algum, útil ou justificável), enrolei cenas de uma forma que horrorizaria os argumentistas de novelas. Pus à minha protagonista o mesmo nome que uma velha solteirona que cá há na terra, o que pode ser visto como uma reconciliação entre a beleza intrínseca das coisas e a minha experiência com elas, ou então da minha resiliência às opiniões e conjecturas de todos os gatos pingados que me aparecem à frente. Ignorei resolutamente meses e meses passados (há muito ano) a fazer worldbuilding e chamei tudo de acordo com os pontos cardeais e fui inventando nomes para cidades à medida que precisava delas. Vi como é que devia reformular a história (e não apontei). Deixei de apontar as palavras diárias a partir do dia 23. Caí para trás na contagem (1ª, 1ª, 1ª!). Tornei-me anti-social na net, de vez. Não mencionei uma única vez o NaNo entre as pessoas da vida lá fora. Voltei a pensar em como é que as coisas deviam ser. Escrevi até ao último dia. Desisti até de chegar às 50k no programa. Não acabei, nem me sinto com coragem. Cheguei à conclusão que escrever é de noite - talvez o mais importante de tudo, o aproveitável.
Esqueço-me de alguma coisa? Prádiante.

Tenho agora uma saída, e tenho que me ir arranjar que as cachopas decidiram que iam todas elegantes, ignorando os meus gritos sobre não ter roupa elegante. Vou fingir que é para comemorar tudo isto e mais alguma coisa.
Faltam 1494. E eu não quero escrevê-las.
Vou amuar.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Depois lá comecei a conseguir mexer a perninha, e aí vinha eu toda gaiteira para dizer que foi engano, afinal sempre estava vivinha, quando morri outra vez. E depois foi ressuscitada de uma forma muito violenta, de modo que ainda aqui estou a recompor-me. Também ainda sinto uns certos vestígios do açúcar que me esteve a empastelar o sangue até agora. Foi para acordar. Não foi tão mau quanto uma vez memorável em que passei a manhã a comer daqueles rebuçados que são só mesmo açúcar com corante e nem se esforçam a disfarçar e a tarde a comer gomas de ursinho.

Seguindo para o que interessa: neste momento devia ter 45009. Tenho, deixem-me lá ir ver, 41289. Portanto, este ano sempre me atrasei na contagem. Vou lançar serpentinas. E depois fazer entrar na minha cabeça que se não quero perder esta porcaria a 10k palavras de distância, é melhor começar a escrever.